09 ago
  • Por União Planetária

Desarmamento nuclear e a sua não proliferação

Uma base de paz e segurança para a humanidade

 

Por Ulisses Riedel

Poucas coisas chamam a minha atenção com tanta evidência quanto a ignorância humana. Segundo a filosofia oriental, esse mal é a causa do sofrimento. Dizem que é preciso ser sábio para ver o óbvio, o que parece ser verdade. As coisas mais claras, mais irrefutáveis, mais inequívocas, não são assimiladas. Só evoluindo séculos, senão milênios, iremos perceber e superar nossos mais graves erros. Durante quase toda a história, a sociedade humana considerou a mulher como inferior ao homem. Uma insanidade. Em quase todo o planeta, elas não podiam estudar, nem votar e eram tratadas como pessoas de “segunda classe”. No Brasil, a nossa legislação as colocava como relativamente incapazes, no mesmo grau dos silvícolas, esses também segregados. A escravidão humana esteve presente em nosso país durante a maior parte da nossa história. Uma atuação inqualificável, indigna, mas adotada como normal. Hoje, depois de termos passado por duas guerras mundiais no século XX, quando aproximadamente 100 milhões de pessoas morreram, entramos no século XXI com novas guerras, como se fossem algo natural ou se fosse possível a solução dos problemas pela força, pela violência. Nesse contexto, uma das indústrias mais prósperas é a de armamentos. Nós não compreendemos que vivemos em um mundo regulado por leis imutáveis, as leis da natureza, sendo uma delas a lei de causa e efeito ou lei de ação e reação. Colhemos o que semeamos.

Quem planta discórdia inevitavelmente colherá discórdia. Quando um homem fere outro homem, ele na verdade fere toda a humanidade, incluindo a si próprio. Não há solução para os problemas de relacionamento humano por meio do confronto, da luta, da disputa, da guerra. Eles só podem ser solucionados satisfatoriamente pelo entendimento, pelo diálogo, pela paz. Com sabedoria, Mahatma Gandhi sentenciou: “Não há caminho para a paz. A paz é o caminho”. Durante toda a história, os homens provocaram guerras e acreditaram que podiam manter esse comportamento sem riscos maiores para todos e tudo. Mas, agora, as coisas mudaram. Não é preciso ser sábio para entender o grave perigo em que se encontra a humanidade, ao conviver com países em guerra e/ou portadores de armas nucleares. Não é difícil perceber que existe a possibilidade de um insano, impregnado de loucura/ fascínio pela guerra, fazer uso de um arsenal nuclear. No decorrer da Segunda Guerra Mundial, Roosevelt, extraordinário estadista, um dos poucos governantes que salvaram o mundo de uma hecatombe, elencou aspectos humanitários e políticos essenciais à organização social. As ideias de Roosevelt influenciaram, sobretudo, a liberdade civil e política. Enunciou, então, a sua famosa doutrina das quatro liberdades, assim se expressando no Congresso Americano, em janeiro de 1942:

“Temos que buscar, em dias futuros, cuja segurança ansiamos um mundo que se baseie em quatro liberdades humanas essenciais. A primeira é a liberdade de expressão e de palavra – em todas as partes do mundo. A segunda é a liberdade de cada qual adorar a Deus à sua maneira – em todas as partes do mundo. A terceira é a liberdade ou a libertação da miséria – o que, traduzido em termos universais, significa um entendimento econômico que permita assegurar, em cada nação, uma vida saudável e pacífica aos seus habitantes – em todas as partes do mundo. A quarta é a liberdade ou libertação do temor, que, em termos universais, significa uma redução mundial dos armamentos, a tal ponto e de tal maneira completa que nenhum país possa achar-se em posição de cometer ato de agressão física contra seus vizinhos em nenhuma parte do mundo. As quatro liberdades são tão essenciais para o homem como o ar, o sol, o pão e o sal. Privá-lo dessas liberdades significa a morte; e se o despojarem de parte delas, parte dele perece. Dai-as em medida abundante e completa e o mundo há de cruzar o umbral de uma idade nova, a maioridade do homem”.

Em dias atuais, merece destaque especial a atuação do Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, um homem iluminado, que determinou que fossem desativadas as ogivas nucleares herdadas após a extinção da União Soviética. Ele mandou construir um belíssimo palácio em Astana, sua capital: o Palácio da Paz e da Reconciliação. Lá, promove encontros periódicos sob a denominação de Fórum Mundial da Cultura Espiritual, financiados pelo Estado. Com a participação de lideranças mundiais, das mais diversas tradições do mundo, aproxima diferentes civilizações, culturas e religiões. Essa é uma atuação sábia do Cazaquistão, um país de maioria mulçumana que trabalha inteligente e sensivelmente na construção da paz mundial. Um comportamento não encontrado igual no Ocidente. Vamos todos, em uníssono, com voz forte e vibrante, com fé e entusiasmo, clamar, para todos os povos, que despertem, que é preciso, da mesma forma com que foram proibidas as armas químicas e biológicas, eliminar e também proibir as armas nucleares. No Brasil, o Embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, Presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), braço cultural do Itamaraty, atua fortemente pela causa do desarmamento nuclear. Boa sorte para o seu trabalho é o que todos podemos desejar. Que as mentes humanas possam ser iluminadas pela luz da sabedoria e, assim, despertem e vivenciem as virtudes do amor, da fraternidade, da solidariedade, da compaixão, da compreensão da unidade da vida, valores essenciais para a preservação da vida planetária.

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