16 jul
  • Por União Planetária

Veganismo: Uma Nova Consciência

Uma humanidade mais sintonizada com sua essência divina e com valores que sustentem uma sociedade global mais justa e igualitária precisa repensar seu modo de se alimentar e estar em harmonia com o reino animal e o meio ambiente, com base em princípios como a compaixão, a cooperação, o respeito e o amor

Por Osvaldo Condé

Colaboração: Paulo Henrique de Castro

Desde o seu aparecimento, o vegetarianismo e, mais modernamente, o veganismo (dieta que exclui alimentos à base de carne, no primeiro caso, e exclui totalmente pro – dutos de origem animal, no segundo) têm sido questionados pelos onívoros, que se perguntam se as proteínas/ aminoácidos são suficientes nessas formas de alimentação. Fica sempre o questiona – mento que é a base da controvérsia: de onde vocês vão tirar proteínas e a vitamina B12? Segundo George Guimarães, um especialista em nutrição e vegetarianismo, “para obter toda a variedade de aminoácidos essenciais, não é preciso qualquer sistema complexo de cálculo, bastando para isso simplesmente variar as fontes de proteína de maneira razoável”. Ele continua: “as fontes de proteína a que me refiro são as leguminosas (feijões, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja e derivados) e as oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas e sementes, como as de gergelim e giras – sol). Os aminoácidos obtidos dessas fontes ricas em proteína são completados por um aminoácido encontrado nos cereais integrais. Apesar de não serem alimentos ricos em proteínas, os cereais integrais contribuem, completando as boas fontes anteriormente citadas, garantindo assim uma ingestão completa”. Assim, à luz do nutricionismo, sem a “influência comercial” da indústria alimentar onívora (que gasta, em marketing, US$ 32 bilhões por ano nos EUA), as dificuldades não são tão grandes quanto podem parecer a princípio. Dentre os alimentos com maior nível de proteína, destacamos os seguintes: ervilha: 5,42g por cem gramas; chia: 16,54g; feijão: 8g; grão-de-bico: 19,30g; gergelim: 17,73g; semente de girassol: 20,78g; tofu: 17,19g; quinoa: 14,12g; nozes: em média, 20. Em comparação, a carne de frango tem 19 gramas em cem, e a carne de vaca, 21 gramas de proteína por 100 gramas. Percebe-se, assim, que as diferenças não são tão grandes. Por outro lado, a variedade de opções é significativa. Algumas pessoas questionam as dificuldades de manipular e preparar tais pratos e receitas, mas quando paramos para pensar que “o homem é aquilo que ele come” e que sua saúde depende vitalmente disso (da alimentação), o esforço, seja ele qual for, vale a pena. Com relação à vitamina B12, deve-se esclarecer que mesmo os onívoros têm, em geral, deficiência de B12, em termos de 40% de sua população.

“Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, da pobreza de combustíveis e dos piores impactos da mudança climática,diz um novo relatório da ONU. A previsão é de que a população mundial chegue a 9,1 bilhões de pessoas em 2050 e o apetite por carne e laticínios é insustentável,diz o relatório do programa ambiental da ONU (Unep)”

Assim, os cuidados com a B12 não são exclusivos dos veganos ou vegetarianos. Já a vitamina B12 produzida por bactérias pode ser obtida ou ter melhor resposta mediante complementos adquiridos em farmácias de manipulação e homeopáticas, tanto em forma líquida quanto em cápsulas. Da mesma forma, outro nutriente, o ômega 3, pode ser obtido, em vez da carne de peixes de águas frias, com o óleo de semente de linhaça. Mais uma vez, percebemos que a evolução natural da alimentação e do conhecimento nutricional caminha no sentido de dar uma base científica segura aos vegetarianos/veganos. As deficiências, na verdade, são de informação correta. Não existe uma real discussão maniqueísta entre proteína versus vegetarianismo. O que existe é um preconceito de que o vegetarianismo é uma dieta deficitária em termos proteicos. Não cabe mais discutir se temos ou não o direito de executar genocídios de animais não humanos para “deleite alimentar”, em detrimento até mesmo do meio ambiente. A ONU já reconheceu, por intermédio de uma de suas agências, que a dieta carnívora é insustentável ecologicamente. Não dá para chamar de “humana” uma forma de vida que despreza solenemente todas as outras formas de vida existentes no planeta. A raça humana, até para a sua própria sobrevivência, precisa coexistir em paz com todas as outras. Tal pensamento nos recorda Albert Einstein: “Nada beneficiaria mais a saúde da humanidade e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a dieta vegetariana”.

 

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