11 jul
  • Por União Planetária

Esperanto: Ética e Justiça na Comunicação Internacional

Por Paulo Nascentes

Variam muito os motivos pessoais daqueles que aprendem esperanto. Imagine uma enquete sobre esse instrumento linguístico junto àqueles por vezes considerados visionários em um mundo dominado por consumismo, praticidade, preferência por uma cultura pré-digerida, como aquela oferecida pela grande mídia. Você não vai se informar sobre a existência do esperanto, sua cultura transnacional e crescente na comunidade internacional pelos jornais ou pela televisão. Por quê? Simples. A que interesses serve a grande mídia? Em escala mundial, qual é a relação entre as mega corporações donas dos meios de comunicação de massa e os interesses dos oligopólios políticos e econômicos? Acaso seria uma relação assentada na ética, na justiça, no interes – se público? Pesquisar é preciso. Por que não? Quem viaja vivenciará amizade com pessoas de diversos países, livre da barreira das línguas, como aconteceu, por exemplo, durante o mais recente Congresso Internacional de Esperanto, ocorrido de 23 de julho a 2 de agosto de 2015. Em Lille, na França, reuniram-se centenas de brasileiros, cerca de três mil pessoas dos cinco continentes, durante o 100º Congresso Mundial na história do esperanto, motivo de uma grande festa. Na ocasião, muitos relembraram de quando foram recebidos no lar de uma família esperantista na Europa ou na Ásia, recebendo hospedagem gratuita de amigos dispostos a ciceroneá-los durante passeios e visitas à cidade. “Pasporta Servo” ou “Serviço de Passa – porte” é o nome desse serviço mundial de intercâmbio e hospedagem solidários. Afinal, estamos falando de ética e justiça no dia a dia de pessoas comuns no âmbito da comunicação internacional. Quem valoriza um romance, poesia, enfim, literatura produzida em diversos países, contará sobre leituras enfocando as mais variadas culturas, bebendo direto das fontes originais. Isso evidencia a importância do esperanto como ponte entre culturas. Na prática, fica impossível ler essas mesmas obras em croata, mandarim, turco ou japonês. São verdadeiras preciosidades colhidas nessa aventura espiritual. Na certa, poderão também ser mencionados direitos linguísticos respeitados. Ou as mensagens instantâneas trocadas com amigos residentes em países discriminados por parte da grande mídia. O contato de indivíduo a indivíduo vai revelar, ao contrário do senso comum, o lado gentil, solidário, humano de povos rotulados como terroristas, com base em generalizações superficiais e tendenciosas. Religiosos têm divulgado em esperanto suas respectivas doutrinas em publicações católicas, budistas, espíritas, oomotanas ou da fé bahá’i, entre outras. E sustentarão ser o esperanto a língua da fraternidade, do amor, da espiritualidade. A neutralidade do esperanto é reconhecida em relação a ideologias, religiões, filosofias. Porém, nada impede os grandes investimentos feitos na divulgação, em função da capilaridade mundial e da relativa visibilidade da língua internacional. Assim como os peixes e os pássaros desconhecem limites territoriais, assim também os esperantistas viajam pelo mundo e se fazem compreender com facilidade. Com tantas diversas línguas, é importante assegurar a democracia na comunicação internacional. A superação da barreira das línguas, a preservação da diversidade cultural e linguística e a manutenção dos direitos linguísticos continuam sendo um grande desafio. Além do direi – to de todos e todas à eficácia pedagógica na aquisição de uma segunda língua. Precisamos de uma educação que prepare pessoas capazes de desempenhar seu papel na cidadania planetária. Caminha nessa direção a adoção do ensino do esperanto nas escolas de todos os níveis, conforme defendem as Resoluções da Unesco de 1954, em Montevidéu, Uruguai, e de 1985, em Sófia, Bulgária. Falantes de esperanto sentem-se confortáveis em falar uma língua neutra para si e para o interlocutor estrangeiro, o que garante uma base igualitária nos atos de comunicação. Por fim, vale referir as inúmeras pesquisas que evidenciam que aprender primeiro o esperanto facilita na aprendizagem de outras línguas. Experimente pesquisar em qualquer buscador da internet a expressão “efeito propedêutico do esperanto” e verá que esse fator facilitador advém da regularidade estrutural do esperanto, da sua lógica, da flexibilidade de seu sistema de construção de palavras pelo acréscimo de afixos intercambiáveis a dois ou mais radicais. Abundantes e instigantes serão os materiais revelados por sua pesquisa. Confira! Não importa qual é a sua motivação, mas sim o fato de você se permitir vivenciar, durante algum tempo, essa maravilhosa possibilidade e constatar: é suficiente dominar a língua materna e a língua internacional neutra do esperanto. Você vai se surpreender favoravelmente. Viva com coragem essa experiência trans – formadora no alvorecer deste intrigante Terceiro Milênio.

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O esperanto, como segunda língua das pessoas, torna justa a comunicação internacional e protege as culturas. Descubra: https://esperanto.blog

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