20 abr
  • Por União Planetária

Quem será o interventor da Educação?

*Isaac Roitman para o Blog da Política Brasileira – 

A intervenção no Rio de Janeiro justificada para restaurar a segurança pública é a bola da vez. A segurança pública implica que os cidadãos possam conviver em paz e harmonia, onde cada um respeita os direitos individuais do outro. O Estado deve garantir a segurança pública. Nesse contexto é importante refletir sobre as causas da criminalidade. Segundo os especialistas a criminalidade é multicausal envolvendo a educação, a desigualdade social, o desemprego, política de drogas, entre outras. Penso ser importante considerar a educação como a principal vacina contra a criminalidade.

Educação

A educação tem o poder de moldar as atitudes. Ela é um processo contínuo de desenvolvimento de habilidades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade. No sentido mais amplo, educar é socializar, é transmitir os hábitos que capacitam o indivíduo ter um convívio social civilizado. A Constituição Federal em seu artigo 205 estabelece: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Uma pergunta emerge: o Estado brasileiro cumpre esse preceito constitucional? A resposta é não.

Educação no Brasil

A educação brasileira, notadamente o ensino básico (primeira infância, infantil, fundamental e médio) é deficiente produzindo um número grande de analfabetos totais e funcionais. Além disso a promoção de virtudes é incipiente. As ferramentas pedagógicas utilizadas estão superadas. É preciso considerar que o conhecimento hoje é acessível e as informações mais rápidas. Os estudantes estão cada vez mais autônomos e conectados e as novas tecnologias e as mídias sócias estão revolucionando a forma de ensinar e aprender. Uma escola contemporânea deve ser atrativa onde os estudantes estejam engajados e motivados com professores bem formados, dedicados e valorizados. As novas tecnologias, particularmente os dispositivos móveis e a internet devem ser coadjuvantes do ensino-aprendizagem.

A escola e o ambiente familiar devem ser um cenário permanente onde o pensamento é exercitado e onde os valores e virtudes são consolidados. Ela deve estimular os estudantes para alçarem voos e conquistar seus sonhos. Nesse contexto é    pertinente lembrar o pensamento de nosso saudoso Rubem Alves: “Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Intervenção na educação

Há 36 anos em 1982 Darcy Ribeiro assim se expressou: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Esse alerta não foi escutado. É hora de combatermos a criminalidade pela raiz. É hora de fazermos uma intervenção na educação brasileira. Essa intervenção deve ser coletiva e dela deverão participar toda a sociedade e particularmente todos os Professores, todos os estudantes e todas as famílias. É pertinente lembrar o pensamento de Immanuel Kant: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”


*Isaac Roitman – professor emérito da Universidade de Brasília e presidente da Comissão do Movimento 2022: “O Brasil que queremos”.  Projeto criado pela União Planetária em parceria com a UnB, com o objetivo de repensar o país em suas mais diversas áreas e pautas. Mais informações sobre o 2022, acesse o site www.2022brasil.org.br 

Deixar um Comentário