13 jun
  • Por Administrador

Adolescentes do Projeto Ecoar definem a marca da revista Fala Jovem

Uma data e um acontecimento marcantes. Em 17 de maio, os estudantes
do CEF 2 do Paranoá presentes na oficina de design do “Projeto Ecoar:
Protagonismo em Rede” criaram a marca da revista Fala Jovem. Sobraram
comemorações. Os alunos buscaram idealizar uma imagem que transmitisse um
conceito e uma mensagem atuais, uma identidade que fizesse as pessoas pensarem
sobre os seus direitos e a atualidade do que elas vivem. Larissa Souza (13
anos), estudante do projeto, afirmou que “foi divertido criar a marca. Não foi
difícil. Pensamos em coisas que as pessoas gostam e querem ouvir sobre suas
vidas, sobre o que elas vivem. Muitas pessoas criticam os direitos humanos, mas
se as pessoas não sabem os direitos delas, elas não têm nada, não têm vida. Nós
estamos aprendendo a conhecer e respeitar os nossos direitos, para que possamos
saber para que é que eles servem, para que possamos viver direito”.

Cláudio Ávila, oficineiro de design do Projeto Ecoar,
profissional que criou a marca idealizada pelos estudantes, salientou que ele
procurou estimular os adolescentes para que todos refletissem sobre os aspectos
conceituais que envolvem a criação de uma marca, desde os aspectos estéticos
(aparência, nome, cores, símbolos, etc.) e os aspectos psicológicos (valores,
filosofia, ideologia, etc.) até os ideológicos (atributos associados às pessoas
que fazem uso da marca). “Durante a oficina, tentei fazer os adolescentes
compreenderem a marca como uma ferramenta de comunicação que fortalecesse as
identidades dos grupos participantes do projeto, falando de suas qualidades, da
sua filosofia de vida, dos seus objetivos e dos valores dos próprios alunos
enquanto sujeitos de direitos”, explicou Cláudio Ávila.

Ele ainda ressalta que a criação de uma marca é a camada
exterior da identidade de um segmento social, que pode ser feita não apenas com
o objetivo de vender um produto, mas que passa também uma ideia de ver a vida,
um valor agregado, um modo de se comportar e viver, etc. Desde o início da
publicidade, nos primórdios da Revolução Industrial, como um fruto decorrente
do capitalismo, as marcas de produtos e serviços têm a finalidade de promover a
imagem de determinados grupos e de seus estilos de vida, seduzindo as pessoas para
comportamentos dominantes e para vender produtos que têm íntima relação com
tais formas de viver, ressaltando seu status e suas formas de influenciar
outros grupamentos.

Neste caso, o objetivo é outro. A marca criada por Cláudio
Ávila e pelos estudantes do CEF 2 do Paranoá para a revista Fala Jovem tem a
finalidade de ressaltar uma bandeira de luta por direitos historicamente
negados a muitos jovens, de busca por sua própria cidadania, de reivindicação do
direito de se expressar e de ser ouvido em seus protestos, seus medos, suas
carências e seus anseios. Com a imagem de um megafone e de fontes em cores azul
e rosa, a marca definida pelos estudantes, enfim, procura dialogar com o mundo
e tenta buscar dele uma resposta para pungentes problemas do mundo e do
universo jovem, como a invisibilidade social, o preconceito, a desigualdade de
gênero, a violência em suas diversas formas e matizes, em suma, a supressão de
direitos duramente conquistados e muitas vezes negados pela sociedade e pelo
Estado.

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