11 set
  • Por Administrador

Combate a doenças graves tem bons resultados no país nos últimos anos, mas número de pessoas infectadas ainda é preocupante

A saúde é
um fator determinante para o desenvolvimento de um país e do mundo. Mas algumas
doenças graves continuam se disseminando e comprometendo a qualidade de vida de
milhões de pessoas pelo planeta. Em função disso, no ano 2000, lançou-se um
olhar especial para algumas delas, cujo combate virou objetivo de
desenvolvimento do milênio (ODM). É o caso do HIV/Aids, malária, tuberculose e
outras doenças preocupantes. Para 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU)
definiu metas como interromper a propagação e diminuir a incidência de HIV/Aids
e reduzir a incidência de malária e outras doenças, como tuberculose. De olho
nesse cenário, o Nós podemos – Movimento Nacional pela Cidadania e
Solidariedade realizou um levantamento sobre a situação mundial e do Brasil
frente a essa questão.

Segundo dados
da ONU, a primeira meta foi alcançada, já que entre 2001 e 2011, nos países em
desenvolvimento, o número de novas infecções anuais por HIV para cada 100
pessoas de 15 a 49 anos caiu de 0,09 para 0,06. Embora esse número seja
significativo e ateste que a disseminação da doença vem sendo reduzida, a Organização
observa, em seu Relatório dos ODM 2013, que 2,5 milhões de pessoas ainda são
infectadas todos os anos. No Brasil, a taxa de detecção do HIV/Aids se encontra
estabilizada nos últimos 10 anos. Cerca de 20 por 100 mil habitantes são
diagnosticados anualmente e o coeficiente de mortalidade pela doença diminuiu.
Os registros entre crianças menores de 5 anos também caíram de forma
considerável entre 2001 e 2012, passando de 5 para 3,4 por 100 mil
habitantes. 

A estabilidade
da taxa de detecção em um contexto de crescente aumento da capacidade de
diagnóstico sinaliza, ao mesmo tempo, a interrupção da propagação da doença e a
redução da incidência. Apesar do bom resultado geral, as diferentes realidades
regionais apontam disparidades significativas em relação à disseminação da
doença. Enquanto na região Sudeste houve tendência de redução do número de
casos, nas demais regiões brasileiras houve um incremento na incidência de
novos casos. Já no que se refere à transmissão vertical do vírus HIV – de mãe
para filho, durante a gestação, parto ou amamentação – ocorreu uma relevante
redução na última década.

As pesquisas
indicam que a população masculina apresenta maior incidência da doença do que a
feminina. No entanto, até 2006, na faixa etária de 10 aos 19 anos, a relação
era inversa, com mais registros entre as mulheres. Esse quadro mudou a partir
de 2007, quando foi observado um crescimento dos casos entre os homens superior
ao verificado entre as mulheres – inclusive na população de 10 a 19 anos, que
engloba a adolescência. Na última década, a mortalidade por Aids apresentou uma
redução estatística no Brasil. No entanto, a média nacional oculta grandes
diferenças nas tendências regionais.

Redução dos casos
de malária

Os esforços do
setor de saúde no Brasil para reduzir a malária sugerem ter ocorrido um grande
êxito, já que de 1990 a 2012, a Incidência Parasitária Anual (IPA), que mede o
risco de contrair a doença, diminuiu de 3,9 para 1,3 caso por mil habitantes. E
mais: em média, foram notificados anualmente 458,9 mil casos de malária,
contrastando bastante com os 242 mil casos registrados em 2012.

Apesar de os
dados atestarem uma evolução real, a queda da doença não foi linear ao longo
dos anos. Até 2002, a incidência foi reduzida para dois casos por mil
habitantes, mas iniciou-se um novo crescimento que culminou com 3,3 casos por
mil habitantes, em 2005. Segundo o Ministério da Saúde, o aumento dos casos
deveu-se, principalmente, à intensa e desordenada ocupação das periferias das
grandes cidades da região Amazônica. O desmatamento para extração de madeira,
criação de gado, agricultura e assentamentos, atividades não autorizadas pelos
órgãos competentes, contribuiu para o aumento da transmissão da doença. Outro
fator colaborador foi o aumento dos criadouros do mosquito, vetor da malária,
em razão da atividade de piscicultura desordenada, com a construção de tanques
artificiais em quintais de domicílios ou nas periferias de diversas cidades da
região.

A partir de
2006, a tendência tem sido de decréscimo, chegando a 1,3 casos por mil
habitantes em 2012. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2013 o Brasil
registrou o menor número de casos de malária dos últimos 33 anos, com 178.614
notificações, apresentando queda de 71%, comparado aos 615.246 casos
registrados no ano 2000. No país, a incidência da malária está concentrada na
região Amazônica, que registrou em 2012 quase 99,9% dos casos.

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